04/01/2010

El desfile salvaje

Hugo Buriel
Alfaguara
394 páginas

Entre o receio, a admiração, a covardia e a inveja, cinco amigos desde o tempo da adolescência voltam a se reunir para procurar um outro companheiro que desapareceu.
Um thriller psicológico que não dá tempo de respirar, no qual se impõe o desejo, tão humano, de não se resignar a viver uma única experiência.

Um romance do desencanto, do que que poderia ter sido e não foi, do desejo de morrer, mas só para ser outro. Ou o desejo de outra vida: algo que, sabe-se, jamais é alcançado. O desejo não se toca nem a sede se apaga. No final, não resta tempo para nada nem há lugar para onde regressar. Em El desfile salvaje, o último romance do escritor uruguaio Hugo Burel, que já está na terceira edição, cinco amigos desde a adolescência voltam a se reunir anos depois. Há um morto e muitas peças para organizar até conseguir que o quebra-cabeças se arme. Um thriller que tem como cenário Montevidéu. “Não consigo inventar uma visão que esteja fora do Río de la Plata”, diz Burel. (Revista Ñ)

13/09/2009

Carter en New York

Jose Pablo Feinmann
Planeta
234 páginas

Joe Carter é um norte-americano de dureza impiedosa, provavelmente um fanático. Também é um detetive particular de pouca paciência e métodos pouco convencionais, um bom amigo de seus amigos da CIA, do FBI e até do Pentágono. É – em não menor medida e talvez com menos piedade – um autêntico assassino, contratado com frequência para assassinar todo tipo de gente. Mas Carter sempre se supera e muitas vezes assassina gente por vontade própria, por suas ideias e valores, que são os da América.
Desde o 11 de setembro de 2001, sempre que chega a Nova York, visita o Ground Zero, uma ferida que mantém as faces abertas para patriotas como Carter, que sente o ataque às Torres como uma bofetada insolente e tenta encontrar uma maneira de se vingar. Ele, que não tem medo de nada, que matou vietnamitas e comunistas de todos tipo e em todo lugar, não consegue conhecer o Islã nem decifrar que tipo de terroristas são esses fanáticos que temem Alá. Mas comprou um pocket book do Corão: tem certeza de que aí encontrará uma chave.
Enquanto isso, exercita a defesa de sua moral aceitando o caso que lhe oferece Ciño Mastronardi, o mais importante mafioso de Nova York, que suspeita que sua esposa, a estilizada Elizabeth Anderson, está sendo infiel com hipermoderna estrela de cinema Cecilia Gershenson. A investigação de Carter tomará um rumo imprevisível. Está imerso em um império paranóico e corre o risco de encarnar uma de suas faces mais terríveis.
José Pablo Reinmann nos deslumbra com um personagem e uma linguagem absolutamente extraordinários. Carter en New York é um texto profundo e extremo, tão grotesco e divertido que as coisas mais espantosas nos fazem rir e dão calafrios. O incrível registro que consegue com Joe Carter, seu personagem singular, as reflexões sempre politicamente incorretas que delineam seu caráter e as peripécias assombrosas nas quais suas convicções o levam, confirmam que estamos tratando de um audaz e genial escritor.

13/09/2009

Los secretos de la valija

Hugo Alconada Mon
Planeta
303 páginas

Esta investigação revela a trama secreta de acontecimentos que levaram ao escândalo que provocou a fracassada tentativa de Antonini Wilson de introduzir na Argentina uma maleta com 800 mil dólares provevientes da Venezuela. (Revista Ñ, Clárin)

13/09/2009

El espejo de los mediadores

Marinés Suares
Paidós
192 páginas

“Este novo livro de Marinés Suares recolhe, de uma maneira certamente original, sua extensa trajetória como mediadora e como docente. Localizada em uma interessante zona de cruzamentos – é um ensaio ou um romance? Os personagens são reais ou fictícios? Seus destinatários são somente os mediadores ou qualquer leitor em geral? – a obra se propõe como o relato ficcional de uma mediação em caso de divórcio. Todas as etapas e os dispositivos próprios deste âmbito estão exaustivamente retratados – as reuniões conjuntas, as privadas, as de equipe – e os personagens foram delicadamente moldados por uma pluma que evidencia um profundo conhecimento de tudo aquilo que se coloca em jogo na hora da mediação: vínculos, sentimentos, valores… A verossimilhança – árdua empresa em toda obra de ficção – é aqui conseguida com naturalidade e destreza. É que a autora se animou a transpor alguns limitses, a jogar com eles, sabendo de que nessa zona se produzem muita aprendizagem. O texto então se propõe a ser como um espelho, no qual o leitor encontrará refletida uma situação de mediação. Mas não só isso: também permitirá espiar como entre mediadores e “mediados”, entre homens e mulheres que compartilham essa instância comum se produz um jogo de projeções, onde o público e o privado, o profissional e o pessoal, o volitivo e o sentimental, se encontram, formando um cenário de grande complexidade e sutileza.”

06/09/2009

El enviado, su legado y la espiritualidad

Alberto Jorge San Martín
Dunken
272 páginas

O Autor descreve com total clareza conceitual, os conteúdos das Mensagens do Além, intuídas pelos Mestres Espirituais. A análise das condutas humanas, é o fundamento para encontrar o Horizonte para nossas vidas e superar a difícil prova que significa a vida terrena.

06/09/2009

Para una izquierda lacaniana

Jorge Alemán
Grama
112 páginas

Em primeira pessoa, assim definiria este livro e assim começa. Uma viagem pelas reflexões em torno da psicanálise e política que Jorge Alemán nunca abandona.
É assim que termos que sempre escutamos, sem um contexto definido, são esclarecidos no marco de uma posição ética a respeito da psicanálise, e o que com o conceito de esquerda lacaniana tenta transmitir. Dois termos que parecem não confluir, a esquerda e a orientação lacaniana, fazem com que este não seja um livro sobre psicanálise, nem um livro sobre política, mas sobre política da psicanálise, sobre a dimensão política e ética que o discurso da psicanálise têm na éçoca que nos toca viver, onde conceitos como neoliberalismo, dominação, hegemonia, capitalismo, esquerda, ideologia, utopia, acontecimento, contingência, técnica, mercadoria e revolução, são revisitados para esclarecer e orientar o que a psicanálise pode dizer e o lugar que deveria ocupar nessa práxis.
O que é ser de esquerda? Nas páginas deste livro se encontrará uma resposta que longe de ser fechada e acabada, e que daria um ser ao sujeito de esquerda, o posiciona em relação a algo ineludível que tem a ver com a própria constituição subjetiva. Trata-se, definitivamente, de uma operitividade da psicanálise, baseada em uma política e uma ética que vai contra os discursos da época.

06/09/2009

Estado de quiebra

Carlos Robles
Del Robledal
486 páginas

Este longo romance alimenta uma veia quase inédita, inexplorada da narrativa argentina. Conhecemos e vivemos duríssimas experiências emanadas da absurda economia argentina, as vicissitudes e avatares das quebras empresariasi que muitas vezes conduzem ao fracasso, ao suicídio ou à fratura estrepitosa da harmonia familiar. Temas que, até onde sabemos, não foram abordados na escrita literária.

06/09/2009

La pasión según Trelew

Tomás Eloy Martinez
Alfaguara
284 páginas

Na madrugada de 22 de agosto de 1972, dezesseis guerilheiros fugidos da cadeia de Rawson e detidos na base aeronaval Almirante Zar, de Trelew, foram fuzilados por seus carcereiros. Esses disparos sobre prisioneiros à disposição do Estado argentino prefiguraram o horror que desataria a repressão ilegal durante a ditadura.
Um pouco mais tarde, nessa mesma madrugada, enquanto revisava os últimos detalhes da edição do semanário Panorama, Tomás Eloy Marínez ouviu o barulho do teletipo. Aproximou-se para ver que novidade podia emitir a essa hora a agência de notícias oficial e encontrou um texto incompreensível: “Durante uma fracassada tentativa de fuga, quinze delinquentes subvers ANULAR ANULAR ANULAR”. Suspeitando de uma execução massiva, Martínez mudou a capa de Panorama. No dia seguinte foi despedido, acusado de difundir uma informação que oficialmente era falsa.
Viajou a Trelew para reconstruir os fatos, e ao chegar encontrou-se no meio de uma das rebeliões populares mais fortes e secretas da história argentina. A cidade havia se levantado contra a detenção de um grupo de seus habitantes mais respeitados, enviados à prisão de Villa Devoto por cooperação com os guerrilheiros. O povo se declarou em estado de comuna e se mobilizou dia e noite exigindo a liberdade dos vizinhos.
La pasión según Trelew narra o massacre e a rebelião como uma mesma tragédia, unindo documentos e personagens em um relato magnífico. Publicada pela primeira vez em 1973, proibida no final daquele ano e queimada em uma guarnição militar, esta obra mantém, nesta edição corrigida e ampliada, sua capacidade para revelar como as pequenas histórias das pessoas comuns se entrelaçam com a história maior do país.

06/09/2009

Cuando ya no importe

Juan Carlos Onetti
Alfaguara
174 páginas

No centenário de seu nascimento, a nova edição de seu último romance, Cuando ya no importe.

Este é o diário de Carr, um intelectual cuja esposa decide abandoná-lo para ir viver em outro país. A misério espiritual e material é o único que compartilhou com ela, por isso a ruptura não será um fato dramático, mas o contrário: trata-se de uma oportunidade para refazer sua vida. Na cidade de Santa María, começa a trabalha como guarda-noturno. Logo descobre que seu trabalho é, na verdade, deixar passar os contrabandistas.
Cuando ya no importe, o último romance de Juan Carlos Onetti, constitui uma afirmação de sua grande capacidade de colocar em pé os mundos mais sugestivos com o traço contundente e firme de uma literatura que se converteu em lenda.

06/09/2009

Entre Usaquén y Palermo

Ernesto Solari
Simurg
160 páginas

Com uma suspicácia e um ouvido agudo que remetem a Roberto Arlt, com uma minuciosidade que dialoga com alguns contos de Edgardo Cozarinsky, Solari esparrama este conjunto de peças breves (por momento relatos, por momentos, pensamentos) que se deixam habitar por uma polifonia reconhecível, mas transformada. Ao serem montadas, estas peças armam o quebra-cabeças de um mundo privado que – como acontece sempre nas melhores ficções – acabam superpostas a outros mundos para interrogá-los. (Carolina Bruck)